Thursday, May 19, 2016

Falar sem conhecer

Vejam só como são as coisas. Só hoje eu tive o prazer de ler uns comentários sobre um texto que escrevi em Novembro de 2006, sobre a vida dos índios norte-americanos. Um amigo meu nunca mais me escreveu depois disso, mas fazer o que? Quase um ano e meio depois de escrito, em Maio de 2008, uma jovem chamada Caroline, com nome francês mas com e-mail caboclajandira@yahoo.com.br, disse-me que o homem branco, por ter matado milhões de índios, teria a obrigacao de dar condicoes de vida digna pros indígenas que sobraram.

E disse mais, o obvio, que nem todo o dinheiro do mundo paga a dor, humilhacao, tristeza, de ter um povo dizimado. Diz também que depois de séculos, a descriminacao (sic) persiste. Aí depois diz que não podemos generalizar que existe gente ruim em toda raça, pois os brancos jogam filhos nos cestos de lixo e por ai vai.

Fazendo igual a Jack, vamos por partes. Essa ideia de que o José que nasceu em 1950 tem que pagar o pato por um Joao que fez uma merda em 1210 é uma coisa que não me entra na cabeça mesmo. O Quebec mesmo é assim. Odeiam John, um inglês que nasceu em 2005 por causa da guerra entre franceses e ingleses séculos atrás. Um erro não justifica o outro.

Não é porque os Estados Unidos tiveram uma politica de assassinar os índios que hoje em dia eles podem ter o direito de pintar e bordar e estuprar e urinar em altares. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Afinal, o índio é um ser humano igual ao branco, ou não? Porque ele não pode trabalhar, estudar, galgar, correr atrás, se esforçar? Porque um homem que falava uma língua que ele não fala mais, que comeu a mãe da mãe do pai da mãe do pai dele foi assassinado por um regimento há 10 geracoes passadas?

Se quer dar condicoes de vida digna, que dê. Crie programas que os façam trabalhar, estudar, fazer algo que preste. Abolir leis, dar mesada, moradia e roupa lavada, comida e isentar de impostos não é solucao não.

Segundo a Carol, não há dinheiro que pague a humilhacao sofrida por um povo (???). cade esse povo? Se esse povo tiver ai vivo ainda, concordo plenamente. Mas os tetra-tetra netos? O avô do meu bisavô do meu tataravô teve as terras confiscadas por Portugal e ele foi assassinado à sangue frio. Eu também quero o direito de não pagar impostos, e toda essa regalia.

Quando uma pessoa fala que uma raça tem que ter direitos porque aconteceu algo no passado, eu só posso achar que eles estao comparando-os a uma matilha de caes, por exemplo. Olha só, botaram pra fuder nos labradores, vamos dar uma colher de chá pra eles. Mas com ser humano é diferente. Cada um pensa e por pensar, pode se libertar dessa historia e criar uma dele, sem se fazer de coitado e de fudido por causa de uma coisa que nem o afeta mais diretamente.

Então ela fala o melhor. Que tem gente ruim em toda raça. Lógico que tem. E se tem ruim nas duas, porque o índio pode ser um ruim sem pagar imposto? E o branco ruim paga assim mesmo? Porque um branco vai a julgamento por ser ruim e o índio pobrezinho não?

Nessa fronteira que eu me referi no texto, é por onde entra no Canada todas as armas, drogas, pessoas e dentre essas pessoas, todos os terroristas do IRA, o exercito de libertacao irlandês, fugiam da Irlanda e iam direto pra New York ou Boston, onde se misturavam com a enorme populacao irlandesa e escapavam, pra depois voltarem pelo mesmo caminho.

Os índios vêem isso como normal, uma vez que é mais um dim dim pra entrar nos seus bolsos. Madeiras, que as pessoas normais tem cotas, os índios derrubam a 3 x 4.

Eu já tive empresa de fazer entrega de eletrodomesticos e quando ia nas reservas podia comprovar como são, como vivem, o que fazem e te garanto, escrever que defende essa way of life sentada na cadeirinha fumando maconha e querendo ter e mostrar consciência social é uma coisa. Outra coisa é conviver e conhecer de perto.

Não tenho conhecimento de índio brasileiro, mas os daqui eu sei muito bem quem são e como vivem e o que fazem. Ninguém é mais índio. Eu tinha um amigo Shawn, que trabalhava comigo a fabrica de remédios Taro. Ele tinha parte indígena de não sei de quem, não vivia em reserva e emprestava o cartão dele pra quem quisesse comprar algo e não pagar o imposto.

Outro senhor muito afetado pelo texto, de codinome senhor caboclo pena branca, fala em carma, em Dezembro de 2008. Tá rendendo. Carma de que, meu Deus? E disse que Deus era justo. Não vou nem tecer comentários a respeito disso.

Helena Boechat, em Fevereiro de 2009, disse que minha mente era vazia e era casa do Satanás. Acredito que a dela deva ser cheia, pois nem falou nada de nada. Parece aqueles meninos pequenos: ei, você é uma cara de manga!!! Cara de manga, cara de manga!!!

Por fim, veio o senhor sabidão, descobridor da pólvora, me mandando ler sobre as teorias pós–coloniais em Março de 2009. Me dizendo (obrigado pela informacao) que as terras originais eram dos índios e o branco colonizador europeu se apossou de tudo. E no final, é decisivo, me manda ler mais antes de escrever textos dessa natureza.

Ora, ora, ora, amigo. Ainda bem que você me disse que os índios ocupavam as terras antes. Se não me disse, eu nem saberia, afinal, não leio nada, não é isso que você disse? Eu não leio nada do que você ler. Se você tá mordido por algum indígena parente seu, relaxe. Os xingus e os xavantes não estão no texto. Falo de outros índios, bem mais ricos e mais preguiçosos.

Sem os índios, o trafico de cocaína, de revolveres e de pessoas seria quase nulo no Canada. Mas as pessoas não sabem, a policia não pode fazer nada e os índios vivem assim, da esperteza que só tem quem tá cansado de apanhar. So que quem apanhou foi o cara que comeu a mãe da mãe do pai…

Publicado originalmente por Fabiano Holanda, em 23 de outubro de 2009, em Oakville, Ontário, Canadá, no Blog Oakville Connection.

Monday, April 25, 2016

A gripe suína (H1N1) - Parte 1

O menino Evan Frustaglio, 13 anos de idade, morreu após contrair a tal da gripe suína. Ou H1N1, como querem os defensores do porco. Ele morreu na segunda-feira dia 26 de Outubro, após apenas 3 dias que ele começou a reclamar dos sintomas. Ele estava com medo de morrer, segundo o pai dele, Paul.

Na terça-feira, dia 29 de Outubro, o governo reconheceu que sua morte foi causada pela H1N1, depois de dizerem que ele morreu de complicações decorrentes da asma. Ele era um saudável menino, jogador de Hockey. Depois de um jogo de Hockey, ele foi procurar um médico e um farmacêutico, reclamando da sua garganta inflamada e de sua tosse seca. Disseram a ele que era apenas uma simples gripe e mandaram-no tomar um Tylenol.

Ele então foi tomar um banho, já em casa, e ali mesmo do lado de fora da banheira, caiu inconsciente. O pai ligou pra 911, eles foram pro hospital, mas foi tarde demais. O menino morreu. Até agora, 28 pessoas morreram decorrentes da H1N1 em Ontário desde Abril.

Depois da morte do menino Evan, ocorreu um verdadeiro pânico em toda a província. Crianças de 6 meses até 5 anos de idade e velhos acima de 65 anos tem o direito de tomar a vacina e foi aquela correria, criando filas de até 4 horas de espera, carros estacionados no meio da rua, um caos total.

Mesmo assim, ainda existem muitas famílias que se recusam a dar a vacina pros seus filhos. Reclamam do alumínio e do mercúrio na vacina, que faria mal aos filhos. Até me colocaram dúvida. Mas quando vi um médico dizendo na TV que somente um idiota não daria a vacina pros seus filhos, eu me preparei pra enfrentar a fila e me preparar pra segunda onda da gripe suína.

Levei as meninas na segunda-feira, dia 2 de Novembro. A fila durou mais ou menos meia hora e elas nem choraram ao tomar a vacina. Para as crianças, a vacina é dividida em duas partes, tomadas com 21 dias entre a primeira e a segunda dose. Dia 23 de Novembro, elas vão tomar a segunda parte.

As crianças até 5 anos de idade são consideradas em grupo de alto risco, o que me faz gelar a alma. Mas o maior risco mesmo são aquelas abaixo de 2 anos e com problemas de asma. Bem, a minha parte eu fiz. Espero que a vacina seja mesmo eficaz. 
 
Publicado originalmente por Fabiano Holanda, em 6 de novembro de 2009, em Oakville, Ontário, Canadá, no Blog Oakville Connection.

Sunday, April 24, 2016

Os carros importados

Em meados da década de 1990, o setor de carros importados mal conseguia se manter devido as politicas de importação e restrição de linhas de crédito. Aí chegaram as fábricas da Renault, Mercedes, Audi, Hyundai, Asia, Kia, Honda, Mitsubishi e Peugeot. A Honda criou uma fábrica em São Paulo pra produzir o Honda Civic e começou a fabricar em 1997, porem desde 1992 que já tínhamos o Civic rodando nas ruas, importados. A Mercedes começou produzindo a Série A.

Esse foi apenas um dos pontos positivos do governo Fernando Henrique Cardoso. 

Nessa época, o segmento dos importados se resumia aos carros médios e luxuosos. Seria impossível competir com os populares com as taxas praticadas naquele tempo. Os populares representavam 60% da indústria nacional. Com uma alíquota de 70% mais os impostos que um carro importado carregava até chegar aos portos brasileiros, o preço final do produto aumentava em 4 vezes em relação ao seu preço original. Ou seja, um carro de 12 mil dólares na matriz, chegava ao Brasil por 48 mil dólares.

Então as empresas recorriam aos nichos de mercado. A coreana Asia Motors depois de uma entrada tímida no Brasil, investiu pesado na expansão da sua rede e partiu pro ataque no mercado de utilitários. O resultado foi que na final da década de 1990, a perua Towner se transformou num dos carros importados mais vendidos no país. O feito foi tão incrível que foi o único veículo capaz de fazer frente à campeã de vendas Kombi, da Volkswagen.

No final da década perdida de 1980, quando as porteiras econômicas foram sendo abertas (graças à Fernando Collor), a imagem do Brasil deixava muito à desejar. Os poucos carros estrangeiros que chegavam ao país, chegava pelas mãos de importadores independentes, sem assistência técnica e muito menos serviços pós venda. As coisas foram se ajeitando e entre 1992 e 1994, a cara do setor foi modificada.

As montadoras estrangeiras entraram no mercado e os serviços e vendas aumentaram bastante. Em 1992, foram vendidos 10 mil carros importados. Em 1994, chegou a 77 mil. Em 1995, foram vendidos 120 mil carros importados.

Uma conjunção de fatores fez com que as montadoras virassem a atenção pro Brasil. O Mercosul era uma promessa, o leste europeu tava saturado e os tigres asiáticos tinham já muitas montadas pra abastecê-los. E isso também fez com que a qualidade dos carros nacionais fosse melhorando.

Estive no Brasil em Maio deste ano e nunca vi uma quantidade tão grande de carros importados, principalmente off-road. E marcas que não tem prestígio nos Estados Unidos e Canadá, como Kia, Hyundai, Suzuki e Mitsubishi, eram sucesso absoluto nas altas rodas brasileiras. Pudera, com as carroças que tínhamos nos 1980s, qualquer sopro de modernidade seria agraciada como tesouro.

Publicado originalmente por Fabiano Holanda, em 22 de outubro de 2009, em Oakville, Ontário, Canadá, no Blog Oakville Connection.