Sunday, April 24, 2016

Os carros importados

Em meados da década de 1990, o setor de carros importados mal conseguia se manter devido as politicas de importação e restrição de linhas de crédito. Aí chegaram as fábricas da Renault, Mercedes, Audi, Hyundai, Asia, Kia, Honda, Mitsubishi e Peugeot. A Honda criou uma fábrica em São Paulo pra produzir o Honda Civic e começou a fabricar em 1997, porem desde 1992 que já tínhamos o Civic rodando nas ruas, importados. A Mercedes começou produzindo a Série A.

Esse foi apenas um dos pontos positivos do governo Fernando Henrique Cardoso. 

Nessa época, o segmento dos importados se resumia aos carros médios e luxuosos. Seria impossível competir com os populares com as taxas praticadas naquele tempo. Os populares representavam 60% da indústria nacional. Com uma alíquota de 70% mais os impostos que um carro importado carregava até chegar aos portos brasileiros, o preço final do produto aumentava em 4 vezes em relação ao seu preço original. Ou seja, um carro de 12 mil dólares na matriz, chegava ao Brasil por 48 mil dólares.

Então as empresas recorriam aos nichos de mercado. A coreana Asia Motors depois de uma entrada tímida no Brasil, investiu pesado na expansão da sua rede e partiu pro ataque no mercado de utilitários. O resultado foi que na final da década de 1990, a perua Towner se transformou num dos carros importados mais vendidos no país. O feito foi tão incrível que foi o único veículo capaz de fazer frente à campeã de vendas Kombi, da Volkswagen.

No final da década perdida de 1980, quando as porteiras econômicas foram sendo abertas (graças à Fernando Collor), a imagem do Brasil deixava muito à desejar. Os poucos carros estrangeiros que chegavam ao país, chegava pelas mãos de importadores independentes, sem assistência técnica e muito menos serviços pós venda. As coisas foram se ajeitando e entre 1992 e 1994, a cara do setor foi modificada.

As montadoras estrangeiras entraram no mercado e os serviços e vendas aumentaram bastante. Em 1992, foram vendidos 10 mil carros importados. Em 1994, chegou a 77 mil. Em 1995, foram vendidos 120 mil carros importados.

Uma conjunção de fatores fez com que as montadoras virassem a atenção pro Brasil. O Mercosul era uma promessa, o leste europeu tava saturado e os tigres asiáticos tinham já muitas montadas pra abastecê-los. E isso também fez com que a qualidade dos carros nacionais fosse melhorando.

Estive no Brasil em Maio deste ano e nunca vi uma quantidade tão grande de carros importados, principalmente off-road. E marcas que não tem prestígio nos Estados Unidos e Canadá, como Kia, Hyundai, Suzuki e Mitsubishi, eram sucesso absoluto nas altas rodas brasileiras. Pudera, com as carroças que tínhamos nos 1980s, qualquer sopro de modernidade seria agraciada como tesouro.

Publicado originalmente por Fabiano Holanda, em 22 de outubro de 2009, em Oakville, Ontário, Canadá, no Blog Oakville Connection.

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