Monday, April 25, 2016

A gripe suína (H1N1) - Parte 1

O menino Evan Frustaglio, 13 anos de idade, morreu após contrair a tal da gripe suína. Ou H1N1, como querem os defensores do porco. Ele morreu na segunda-feira dia 26 de Outubro, após apenas 3 dias que ele começou a reclamar dos sintomas. Ele estava com medo de morrer, segundo o pai dele, Paul.

Na terça-feira, dia 29 de Outubro, o governo reconheceu que sua morte foi causada pela H1N1, depois de dizerem que ele morreu de complicações decorrentes da asma. Ele era um saudável menino, jogador de Hockey. Depois de um jogo de Hockey, ele foi procurar um médico e um farmacêutico, reclamando da sua garganta inflamada e de sua tosse seca. Disseram a ele que era apenas uma simples gripe e mandaram-no tomar um Tylenol.

Ele então foi tomar um banho, já em casa, e ali mesmo do lado de fora da banheira, caiu inconsciente. O pai ligou pra 911, eles foram pro hospital, mas foi tarde demais. O menino morreu. Até agora, 28 pessoas morreram decorrentes da H1N1 em Ontário desde Abril.

Depois da morte do menino Evan, ocorreu um verdadeiro pânico em toda a província. Crianças de 6 meses até 5 anos de idade e velhos acima de 65 anos tem o direito de tomar a vacina e foi aquela correria, criando filas de até 4 horas de espera, carros estacionados no meio da rua, um caos total.

Mesmo assim, ainda existem muitas famílias que se recusam a dar a vacina pros seus filhos. Reclamam do alumínio e do mercúrio na vacina, que faria mal aos filhos. Até me colocaram dúvida. Mas quando vi um médico dizendo na TV que somente um idiota não daria a vacina pros seus filhos, eu me preparei pra enfrentar a fila e me preparar pra segunda onda da gripe suína.

Levei as meninas na segunda-feira, dia 2 de Novembro. A fila durou mais ou menos meia hora e elas nem choraram ao tomar a vacina. Para as crianças, a vacina é dividida em duas partes, tomadas com 21 dias entre a primeira e a segunda dose. Dia 23 de Novembro, elas vão tomar a segunda parte.

As crianças até 5 anos de idade são consideradas em grupo de alto risco, o que me faz gelar a alma. Mas o maior risco mesmo são aquelas abaixo de 2 anos e com problemas de asma. Bem, a minha parte eu fiz. Espero que a vacina seja mesmo eficaz. 
 
Publicado originalmente por Fabiano Holanda, em 6 de novembro de 2009, em Oakville, Ontário, Canadá, no Blog Oakville Connection.

Sunday, April 24, 2016

Os carros importados

Em meados da década de 1990, o setor de carros importados mal conseguia se manter devido as politicas de importação e restrição de linhas de crédito. Aí chegaram as fábricas da Renault, Mercedes, Audi, Hyundai, Asia, Kia, Honda, Mitsubishi e Peugeot. A Honda criou uma fábrica em São Paulo pra produzir o Honda Civic e começou a fabricar em 1997, porem desde 1992 que já tínhamos o Civic rodando nas ruas, importados. A Mercedes começou produzindo a Série A.

Esse foi apenas um dos pontos positivos do governo Fernando Henrique Cardoso. 

Nessa época, o segmento dos importados se resumia aos carros médios e luxuosos. Seria impossível competir com os populares com as taxas praticadas naquele tempo. Os populares representavam 60% da indústria nacional. Com uma alíquota de 70% mais os impostos que um carro importado carregava até chegar aos portos brasileiros, o preço final do produto aumentava em 4 vezes em relação ao seu preço original. Ou seja, um carro de 12 mil dólares na matriz, chegava ao Brasil por 48 mil dólares.

Então as empresas recorriam aos nichos de mercado. A coreana Asia Motors depois de uma entrada tímida no Brasil, investiu pesado na expansão da sua rede e partiu pro ataque no mercado de utilitários. O resultado foi que na final da década de 1990, a perua Towner se transformou num dos carros importados mais vendidos no país. O feito foi tão incrível que foi o único veículo capaz de fazer frente à campeã de vendas Kombi, da Volkswagen.

No final da década perdida de 1980, quando as porteiras econômicas foram sendo abertas (graças à Fernando Collor), a imagem do Brasil deixava muito à desejar. Os poucos carros estrangeiros que chegavam ao país, chegava pelas mãos de importadores independentes, sem assistência técnica e muito menos serviços pós venda. As coisas foram se ajeitando e entre 1992 e 1994, a cara do setor foi modificada.

As montadoras estrangeiras entraram no mercado e os serviços e vendas aumentaram bastante. Em 1992, foram vendidos 10 mil carros importados. Em 1994, chegou a 77 mil. Em 1995, foram vendidos 120 mil carros importados.

Uma conjunção de fatores fez com que as montadoras virassem a atenção pro Brasil. O Mercosul era uma promessa, o leste europeu tava saturado e os tigres asiáticos tinham já muitas montadas pra abastecê-los. E isso também fez com que a qualidade dos carros nacionais fosse melhorando.

Estive no Brasil em Maio deste ano e nunca vi uma quantidade tão grande de carros importados, principalmente off-road. E marcas que não tem prestígio nos Estados Unidos e Canadá, como Kia, Hyundai, Suzuki e Mitsubishi, eram sucesso absoluto nas altas rodas brasileiras. Pudera, com as carroças que tínhamos nos 1980s, qualquer sopro de modernidade seria agraciada como tesouro.

Publicado originalmente por Fabiano Holanda, em 22 de outubro de 2009, em Oakville, Ontário, Canadá, no Blog Oakville Connection.